quinta-feira, 12 de abril de 2012

Japão; Tsukihime; Japão; Tsukihime

Este post não contém imagens pornográficas, mas discute sexo, incesto, estupro e outras coisas doentias que japonês parece ter uma tara especial. Pode ler no trabalho, é só texto e não tem texto erótico, mas caso não ache de bom gosto, pare por aqui.

O Japão possui três tipos de jogos que não consigo deixar de associar a ele assim que vejo, (e à estética mangá) o Dating Sim; Simulador de Encontros/Namoro, a Kinect (ou Visual) Novel; Livro Visual/Cinético, e o J-RPG.
Ao passo que o J-RPG (Final Fantasy, Chrono Trigger, etc, etc,) conseguiu atravessar o pacífico e chegar ao ocidente, os outros dois são basicamente restritos às Ilhas.
Talvez porque no ocidente as pessoas namorem de verdade ao invés de precisar de ficção para imaginar como seria, o Dating Sim não tenha atravessado as fronteiras. Talvez porque quase todas as Kinectic Novels sejam sobre namoro seja também esse o motivo delas não terem saído de lá. Prova cabal da semelhança entre os Dating Sims e as Kinect Novels é que a lista de jogos do Ren'Py, uma engine para fabricar novelas visuais, tenha como critério de busca "By Relationship".
Não costumo ser contra gêneros de modo puro, então não costumo afirmar que todo Dating Sim ou Visual Novel é ruim, mas a verdade é que a maioria é uma porcaria, e provavelmente é por isso que conheci Tsukihime através do Anime, ao invés da Visual Novel.
Dados técnicos chatos que gamemaniacos gostam:
Tsukihime (月姫 lit. A Princesa da Lua?), também conhecida como Shingetsutan Tsukihime é uma Visual Novel lançada pelo grupo Type-Moon em dezembro de 2000, futuramente adaptada em uma série de anime em 2003 e em mangá em 2004. A série foi escrita por Kinoko Nasu (autor de Fate/stay night, Kara no Kyoukai e Mahou Tsukai no Yoru).
O subtítulo oficial da série é "Blue Blue Glass Moon, Under the Crimson Air" (lit. "Azul lua de vidro azul, sob o ar rubro").
Sim, copiei descaradamente da Wikipédia.
Tsukihime me chamou a atenção não por ter um bom roteiro (e o tem), por ser mais maduro que os animes mais populares (Naruto e One Piece são feitos para crianças até 12 anos sabia?), ou por ter um roteiro com reviravoltas o bastante para ser surpreendente, mas não com tantas para ser previsível. O que mais me chamou a atenção em Tsukihime foi a maneira como ele aborda do sexo.
No anime temos uma profusão de meninas de saia, mas ao longo dos episódios é impossível ver sequer uma calcinha. Além disso é realmente o primeiro anime que eu vi onde o sexo é incluído no roteiro de uma forma... ocidental. Duas pessoas se conhecem, gostam uma da outra, no momento que descobrem que se amam transam, e pronto. Aliás, a cena de sexo em si é bastante sutil, no nível novela das seis.
Se o anime me assustou surpreendeu por tratar o sexo como algo natural, de uma maneira adulta, isso me leva a uma pergunta simples:

  WHAT IS FUCKING WRONG WITH THIS PERVERTED NATION?

Uma nação onde o material pornográfico tem mais categorias que a classificação taxonômica de Lineu precisa urgentemente transar mais de um psicólogo.
A maioria os animes falha de modo completo e irrevogável em tentar descrever um relacionamento romântico. (e depois de assistir Bakuman tenho que considerar a hipótese de que seja simplesmente porque os mangakas não tem tempo para vida pessoal)
As representações costumam ficar nas gradações entre o Tenchi Muyo e o Bible Black. Ambas absolutamente machistas, ambas sem um mínimo de respeito pela mulher, ambas sem a menor naturalidade ou maturidade, só humor, o mais tosco possível.

Aí resolvi jogar Tsukihime...
A aventura para instalar a coisa já é praticamente uma volta aos anos 90 para nós, piratas. O site oficial é em japonês, lógico. A versão em inglês que consegui achar é fanmade. O processo de instalação envolve abrir uma imagem Clone CD (quem raios inventou um formato de imagem com TRÊS aquivos? .ccd, .img. .sub em um programa de RECUPERAÇÃO DE DADOS CORROMPIDOS, executar o jogo em japonês para que ele criasse os arquivos necessários e depois rodar o instalador em inglês.
Para descobrir que o jogo não tem música. Que é preciso ripar as faixas CD Áudio do disco original e copiar para a pasta do jogo instalado em inglês.
Se o anime tem falhas técnicas que só desculpamos por causa do roteiro (repetição de animações, animações toscas, repetição de animações toscas, repetição de cenas, flashback do flashback do flashback...) as do jogo são um pouco...
Tá, a Type Moon estava iniciando, não tinha dinheiro e só depois ficou rica. Por isso os backgrounds são uma porcaria, os desenhos dos personagens mal feitos e a colorização uma bosta.
Verdade dita? Excelente, vamos tratar das coisas mais importantes.
O jogo tem basicamente o mesmo roteiro o anime, com a diferença que o anime mostra trechos de várias linhas narrativas mutuamente exclusivas do jogo, apensar de ser basicamente a principal.
Maaas....
De certo modo poderia classificar esse jogo como hentai.
Não sou contra aparecer sexo nos jogos. Gosto das abordagens de Fallout 1 e 2 (não joguei o 3, não opino no caso), gosto da abordagem de The Witcher, gosto da abordagem de Mass Effect. (Apesar de achar que se o namoro é algo tão demoradamente construído no jogo ele devia ter um senso de continuidade maior.)
Em Tsukihime, você obrigatoriamente terá um sonho molhado e um quase estupro na história principal, além da cena de sexo que foi levada para o anime.
Uma coisa de cada vez, vamos ao sonho molhado. Você tem a oportunidade de escolher com quem sonhar, e uma das opções é a sua irmã.

  WHAT IS FUCKING WRONG WITH THIS PERVERTED NATION?

Bem... não ligo se me acharem conservador, mas considero a obsessão por incesto do Japão, ou mais precisamente, comer a própria irmã, algo absurdamente doentio. 
No jogo tem uma linha narrativa inteira onde sue relacionamento principal é com a irmã, e dane-se se ela não é irmã de sangue (aliás isso você só descobre no final) isso continua sendo doentio.
Na cena de estupro, a sua opção de colocar a cabeça no lugar e retroceder é depois de algumas telas muitas telas  e logo antes da penetração.Aqui há duas coisas importantes a dizer, mas antes uma pergunta importante:

  WHAT IS FUCKING WRONG WITH THIS PERVERTED NATION?

A tara por estupro dos hetais é algo ainda mais doentio que a obsessão em comer a própria irmã.
Em Tsukihime temos nessa cena uma coisa boa e uma ruim. A boa é que se você efetivamente estuprar a pobre Arcueid você terá um game over. Algo com um caráter educativo muito positivo em uma sociedade pervertida como a japonesa, e que mesmo no Brasil onde o estupro não e glorificado ainda tem muita serventia. 
A ruim é que você não precisa de QUINZE a VINTE telas de texto descrevendo as preliminares de um estupro. Creio que era para ser algo excitante, mas isso é na verdade doentio. 
A violência sexual é o tipo de coisa que deveria ser varrida da espécie humana, é abjeto, é doentio, é uma das mais profundas formas de desumanização possíveis. Eu não preciso e não quero Arcueid Brunestud, uma personagem adorável, construída com esmero e cuidado, que recebeu uma personalidade bem trabalhada sendo vítima de um estuprador. Isso é repugnante. 
Poderiam ter simplesmente colocado a opção de parar bem mais cedo. Beeem mais cedo.

  WHAT IS FUCKING WRONG WITH THIS PERVERTED NATION?

Mudando de assunto, Tsukhime tem três linhas narrativas principais e duas secundárias. As três principais são as em que você se relaciona principalmente com Arcueid Brunestud, Ciel e sua própria irmã Akiha. As duas secundárias são as em que você se relaciona com as empregadas da mansão e só são destravadas depois de concluir o jogo.
De certo modo, Arcueid e Ciel são muito parecidas, gastando suas vidas em uma caçada por vampiros que exatamente por ter sentido demais é sem sentido.
A obra é uma crítica ao excesso de sentido na sociedade japonesa e um convite a fazer mais coisas sem sentido, aproveitar o caminho em vez de seguir incansavelmente rumo a um a meta sem olhar para os lados. Ele afirma que a verdadeira felicidade não está em ser o melhor aluno/mangaka/ninja/samurai/pirata/dançarino-de-hula-hula do mundo, como os mais populares animes (são feitos pra a faixa etária até 12 anos sabia?).
Tsukihime consegue pegar um dos clichês mais batidos do universo criativo japonês, o protagonista meio sem personalidade que é vazio o bastante para que virtualmente todos consigam se identificar com ele e não o transformar em melhor wathever mas, ao contrário, convencer as melhores caçadoras de vampiros que é bom relaxar um pouco. 
Provavelmente não vou ter estômago para a linha narrativa incestuosa do jogo, mas deve ter o mesmo argumento no final, já que Akiha a irmã mais nova é toda cheia de obrigações por ser a chefe da família.
O roteiro tem humor, não chega aos pés do humor inglês mas ao menos não o humor retardado que costumamos ver na cultura nipônica.
E o sexo é apresentado de maneiras completamente diferentes no jogo e no anime. O jogo é muito mais nipônico nesse sentido. Parágrafos e parágrafos de conto erótico, o que foi bem decepcionante, já que esperava algo minimamente parecido com o anime e, se querem a minha sincera opinião, completamente desnecessário á história. Tanto o sonho molhado, tanto o estupro, tanto o tamanho das cenas, a ponto se terem sido cortado no anime sem perda alguma ao roteiro.
Então vale a pena?
Sim e não. 
É uma boa história e o jogo possui mais detalhes que o anime, fornece algumas respostas e conhecimentos. Permite acompanhar melhor os pensamentos se Shiki. Ao mesmo tempo que exige jogar várias vezes para isso, porque as histórias são mutuamente exclusivas. O que é uma opção menos dolorosa que nos outros jogos japoneses, já que apertando Control você pode dar um fastfoward.
E nunca pensei que fosse dizer isso, mas é menos maduro por ter mais sexo. Enquanto o anime tem aquele ar de "tenho mais de vinte anos e sei muito bem o que aconteceu" o jogo passa a impressão "tenho quatorze anos e preciso me masturbar duas vezes por dia".